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Conhecimento: uma maldição?

Escrito em dezembro de 2017 (se é que tal informação faz alguma diferença).


Onisciência e Onipotência: atributos de Deus

Deus conhece todas as coisas, e não só conhece, como fez todas as coisas e a ele pertencem todas as coisas (Sl 24:1). Deus tem todo o saber e todo o poder na face da terra, e também nos céus e embaixo da terra. Isso é maravilhoso, tão maravilhoso que Deus quis compartilhar de tudo isso com aqueles que ele criou à sua imagem e semelhança. Gênesis 1:26-27: “E disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou, homem e mulher os criou.”

Apenas duas coisas Deus não entregou ao homem: todo o poder e todo o conhecimento. Não poderia entregar todo o poder, porque todas as coisas estão sujeitas a Deus, até mesmo o Filho (1 Coríntios 15:27-28). Dar todo o poder a alguém significaria não ter mais todo o poder, o que seria contra a natureza de Deus, portanto, ao homem não foi dado todo o poder.

Outra coisa que Deus não entregou ao homem: todo o conhecimento. E isso, mais do que tudo, foi para próprio bem das pessoas.

Se você tivesse todo o conhecimento do mundo, soubesse tudo sobre todas as coisas, o que você faria? Talvez você tenha pensado que criaria uma máquina que resolveria muitos problemas das pessoas, ou resolveria a fome no mundo, mas eu insisto que você abra o seu entendimento para poder acreditar que, afinal, você não seria capaz de fazer nada disso.

O conhecimento leva ao medo

Hoje você sabe muitas coisas. Você tem mais informações sobre o mundo em uma edição dominical do New York Times do que uma pessoa bem informada no século I tinha durante toda a sua vida. O cérebro consegue assimilar muita informação, mas ele gradualmente perde a sua capacidade da fase adulta até o final da vida.

Agora, imagine se seu corpo nunca se deteriorasse, como era o plano inicial da humanidade. Seu cérebro, que tem uma capacidade quase infinita, acumularia e acumularia informações até que, em dado momento (2000, 3000 anos), você poderia conhecer tudo que importasse saber: como construir e consertar desde um relógio até um prédio, como resolver problemas matemáticos, e a resposta para muitas perguntas. Assim como hoje algumas pessoas nos surpreendem por serem muito cultas, um cérebro perfeito (isto é, não contaminado pelo pecado e não mortal) poderia saber praticamente todas as coisas. Imagine se você tivesse esse cérebro. Você ainda pensa que faria muitas coisas boas pela humanidade?

“E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.

E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?

E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.”

(Gênesis 3:7-10)


O conhecimento não leva a nada. Ou melhor, leva ao medo.

Se você soubesse todas as coisas, como seria? Saber fazer o melhor bolo do mundo, construir uma fonte de energia sustentável com material encontrado no lixo, saber se proteger do sol se estiver perdido no deserto, ou melhor, descobrir caminho para escapar. Todo esse conhecimento, todo o conhecimento nada seria se você de fato não fizesse. Você poderia saber escapar do deserto em que se perdeu, mas não ter as condições para percorrer o caminho necessário.

E todas as coisas que você sabe fazer, como escolher onde usar melhor seu tempo? Com o material que tem, construir a fonte de energia ou, então, um purificador de água, que você também sabe fazer? Ou, ainda, utilizar o tempo para escrever um manual ao mundo sobre como fazer essas coisas (torcendo para que o livro despertasse o interesse das pessoas e elas compreendessem algo tão avançado). Qualquer dessas escolhas implica a renúncia de não poder fazer a outra com o mesmo material e ao mesmo tempo.

Se você tivesse todo o conhecimento, estaria paralisado. Eu, no seu lugar, estaria paralisado, com a mente tão cheia de coisas que não saberia em qual prestar atenção.

E conhecer tudo, puxa vida, traria mais um problema. Você saberia criar uma arma letal de longo alcance utilizando apenas utensílios da sua cozinha. Não que você fosse de fato criar essa arma, muito menos utilizá-la, mas você saberia que isso é possível e que, portanto, o seu vizinho poderia ser psicótico e ter todo o material disponível para construir uma arma letal de longo alcance. Se isso parece exagerado, ainda que como suposição, pense que, como onisciente, você saberia lavar dinheiro (disfarçar a origem ilícita de determinados ganhos) e que o melhor negócio para esse mau propósito é, digamos, uma estofaria. Se você conhecesse pessoas que têm esse tipo de negócio, não iria olhar para elas da mesma maneira, poderá ficar desconfiado que são lavadores de dinheiro. Você saberia ler nos olhos das pessoas muito do que elas pensam, detectando padrões de como elas piscam e olham, e, com essa capacidade encheria sua mente com os pensamentos dos outros. E, a julgar por mim mesmo, você não ficaria feliz em se alimentar do pensamento alheio.

Mesmo que não utilizasse essa capacidade, você teria medo somente por saber que é possível para as pessoas lerem os pensamentos umas das outras pelo olhar, ficaria atemorizado de ser observado. Sabendo de tudo, portanto, você passaria o tempo todo se protegendo, se esquivando, talvez isolado de todos em um quartinho com paredes de aço; e ainda assim com medo. Você concorda que é isso que aconteceria se você soubesse de tudo, se você fosse onisciente?

“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.”

(Deuteronômio 29:29)

Deus precisou tirar a imortalidade do homem, a morte foi um benefício dado ao homem quando ele caiu no pecado, com o conhecimento do bem e do mal e a desobediência alastrada em sua carne. O conhecimento de todas as coisas só é útil quando se tem poder sobre essas mesmas coisas — por isso, quando o homem ganhou conhecimento do que não deveria, precisou ter sua vida abreviada, como ato de misericórdia. O que é corruptível precisa se revestir da incorruptibilidade (1 Coríntios 15:54). Em um cérebro arruinado pelo pecado que não tivesse fim, a informação aumentaria e aumentaria até que ele não suportaria mais a vida, pediria para morrer e, se fosse imortal, viveria uma vida miserável. Deus: onipotente e onisciente, e apenas ele!

Você entende agora por que Deus não transfere tudo diretamente para suas mãos, mas prefere carregar você em seus braços? Por que Deus não deixa você sozinho, mas é a sua Rocha e a sua Fortaleza, socorro bem presente na angústia? É porque você não poderia levar a vida sem ele. Ele pede apenas que você o reconheça como seu Salvador, chegue-se até ele e faça a vontade dele, que não é pesada.

(Tudo) O que é preciso para ser feliz

Imagem por GraphicMama-team em Pixabay.com

 

Desde que me converti, e mais e mais à medida que conheço e persigo em conhecer a Cristo, uma das coisas de que Deus tem me livrado é da cobiça material. Não posso dizer que "me livrou" definitivamente pois ainda estou no mundo, na dependência do Senhor em me guardar segundo a segundo. Mas esse desejo tem estado tão fora de mim que até me surpreendo com o quanto eu amava possuir, ter, mostrar que tenho. Você também pode olhar para trás, enxergar bem aquilo de que Deus te tirou, e louvá-lo por isso? Ou será que você tem os mesmos desejos, a mesma fornicação, as mesmas mentiras, o mesmo olhar para a vida, a mesma perspectiva, mesmo depois que passou a dizer que é cristão?

Mas, continuando... os comerciais e propagandas de produtos e serviços, que antes me atraíam, até me são engraçados, com anúncios como:



"— VOCÊ MERECE ESTE PRODUTO, COMPRE HOJE MESMO!"
Certo, vamos falar sobre merecimento: O inferno é o que eu mereço. Mas não o terei, por graça.

 

Imagem por Michal Jarmoluk em Pixabay.com


"— VOCÊ SEMPRE DESEJOU ISTO, E HOJE PODE COMPRAR EM 10 X"
Se eu cobiçasse (desejasse) algo deste mundo, seria a prova de que Cristo não me faz feliz. Mas ele faz, e é suficiente, nada mais é preciso. O Senhor é meu pastor, de nada tenho falta.

O que ele quiser me dar, provavelmente (provavelmente!) não me dará em forma de dívidas, mas me fará dar somente o que tenho e posso dar.

Tem aquela história: algum tempo atrás, um alemão, herdeiro de grande fortuna, anunciou no jornal que daria metade de todo o seu dinheiro àquele que chegasse em sua casa e provasse que era feliz. Dias se passaram, e nada (provavelmente as pessoas estavam pensando em como fazer isso). Vários dias depois, um homem se apresentou. Recepcionado na casa, sentado no sofá começou a apresentar seus argumentos, e o rico alemão lhe disse: "Pode parar. Você não serve para isso, a recompensa não é sua." O homem objetou: "Como assim? Deixe-me provar que —". O rico o interrompeu na lata: "Se você fosse feliz, não viria atrás dessas coisas."

Bom, os comerciais estão aí para atrair nossos olhos, nos convencer de que precisamos das coisas, que devemos comprar algo ou agir de determinada maneira. — É tremendamente possível que você tenha se deparado com algum hoje, e talvez algum tenha atraído a chama de que "se eu não for atrás disso, não serei tão feliz e realizado como posso ser". — Muitas vezes, se não na maioria das vezes, eles contradizem a Bíblia, que nos ensina a moderação e o contentamento. Apenas para apresentar mais um exemplo de mote de propaganda:

 

Imagem por Walkerssk em Pixabay.com

 

"— TORNE SUA VIDA MELHOR E FIQUE FELIZ COM ..."
Com o quê? Com o jogo ou app do momento? Ou com uma rede virtual de relacionamentos? Com uma viagem para Kuala Lumpur (a imagem acima é de lá) com hotel de luxo e guia turístico inclusos? Com sessões de psiquiatria ou psicologia? Com yoga, mantras, manipulação de energias, ocultismos outros? Quinquilharias? Seja o que for, você não pode me oferecer o presente mais precioso, a vida de Jesus Cristo entregue na cruz, nem ninguém pode me apresentar algo que seja maior aos meus olhos divinamente iluminados do que o Senhor em sua glória.

Deus me livre da tentação, e me perdoe pelas quedas.


*


Follow-up: https://theres.life/web/@ChiaChatter/107579584827703314

Uma visita é uma visita é uma visita é uma visita

Estou numa fase um pouco (deveras?) triste da vida. De alguns dias, ou de algumas semanas, ou de alguns meses ou anos esta fase, somente Deus, o meu Deus, sabe.

Isso, que arrisco chamar de desânimo — com ao menos uma causa bem discernida, a de não estar alocado em trabalho, e sem perspectiva —, tem me deixado também ausente até da pouca obra que posso fazer pelo Senhor.

E é justamente sobre minha pouca obra para o Senhor que eu havia intercambiado cartas (e-mails) com um irmão do exterior. Verto aqui para o português o e-mail que enviei e a resposta do irmão.

 

*

 

A.:

Palavras duras, meu irmão. Depois de assistir novamente a este vídeo da série sobre Ageu, elas me atingem, como uma responsabilidade pessoal com a Casa do Senhor, de ter cuidado pelos seus membros. Por causa desse vídeo, eu penso, senti o peso pessoal de ir em direção a irmãos em tempos recentes, e tenho feito isso, mas vagarosamente… =/ Bom, parece que as pequenas visitas têm sido apreciadas pelos irmãos visitados, mas eu sou tão fraco e sem poder para realmente fazer algo a eles, e sem perspectiva de saber como irei alcançar todos eles, ou o máximo possível, que realmente precisem do que posso oferecer (encorajamento, doutrina, ou qualquer ajuda espiritual ou material que eu possa discernir ou que eles digam). Sim, há trabalho pronto para cada um que recebe a palavra do Senhor “Você é meu servo”, e vejo nisso algo para o que talvez eu esteja sendo chamado, mas a cada pensamento sobre o que eu deva exatamente fazer só parece me mostrar que tudo isso é mais e mais impossível ou inócuo.

Só compartilhando contigo, do coração.

Obrigado.

A.

 

__________________

 

Irmão S.:

É muito bom ter essa responsabilidade pessoal perante nós. (Veja Fp 2:20.) Mas isto não precisa ser um fardo que carregamos nós mesmos; é preciso trazê-lo diante do Senhor, pois Ele só pode nos guiar e nos fazer inteligentes em toda e qualquer coisa que Ele gostaria que fizéssemos. De outro modo, ficamos desencorajados, especialmente se não vemos os “resultados” como gostaríamos, e abandonamos. Mas se vamos para o Senhor com o nosso zelo, nosso desejo, nosso fardo, Ele nos guiará, seja “patoouca atividade” ou “muita atividade”, por assim dizer. Pode ser uma simples visita. Eu seria o tipo de homem a apreciar uma simples visitar, mesmo que não haja absolutamente nenhuma profunda fala espiritual. A presença do outro, mostrando comunhão, cuidado, gentileza etc.

Então a segunda coisa que você percebe é excelente: fraqueza pessoal, ou como eu diria, completa incapacidade em fazer qualquer coisa no trabalho do Senhor. Aí é que está a força, quando podemos nos apoiar completamente no Senhor e buscar Sua face (Ap 3:8; 2Co 12:9). É claro, se formos completamente incapazes de fazer determinada coisa, bem, nós provavelmente não estamos sendo chamados para fazer essa coisa. :-) Mas de outro modo, precisamos confiar no Senhor. Pego seu exemplo novamente: você tem no coração de visitar os irmãos, e vê que isso é apreciado. Bom.

—Mas então, e quanto às necessidades? Há sempre muitas necessidades, então é muito importante buscar a face do Senhor para digirir nossa atividade. Não é porque há “uma necessidade” que eu preciso atender a ela, nem é por haver “50 necessidades” que eu preciso atender a uma, ou a algumas, ou a todas. Deve ser o Senhor quem dirige minha atividade.

—Segundo, e quanto ao aspecto espiritual? Quando chegamos ao aspecto espiritual, você não deve ficar desencorajado. Você tem o que você tem. Você não pode dar o que você não tem. O Senhor sabe disso, e você sabe disso. É aí que entra a mais importante lição: você recebe o que você precisa do Senhor. Em seu tempo pessoal de devoção com Ele, lendo e orando. Você será enriquecido assim, às vezes guiado para algo, às vezes, sem saber, lhe será dado algo para necessidades que virão no futuro. Então poderá ser o exercício de visitar uma pessoa (para pegar este exemplo). Você pode não ver isto, mas esta simples visita já será a atividade do Espírito Santo em você, e um encorajamento ou uma bênção para aqueles visitados. Ou pode ser também um pensamento que pressiona o seu coração pela Palavra de Deus, em oração. Então você medita nisto. Então, mais tarde no dia, você encontra um outro cristão, e um assunto vem, e acontece que o que o Senhor lhe deu pela manhã é justamente uma boa palavra a compartilhar com aquele outro cristão. Em ambos os casos, é o trabalho do Senhor, e Ele provê para o que é necessário. É claro, toda a nossa atividade cristã é uma fonte de crescimento, como estudos bíblicos, reuniões da assembleia, oração etc. E quanto mais crescemos espiritualmente, mais o Senhor pode nos usar. É um caminho bonito este que o Senhor quer que andemos, com Ele.

Este é o trabalho do Senhor. Precisa ser assim quando fazemos algo. Sua direção. Sua sabedoria. Sua força. Seu poder. Sempre iremos aprender neste caminho. Estamos na escola de Deus, e a formatura é só quando estivermos acima com Ele. :-)

Saudações no Senhor Jesus,

S.

📌 Súplicas

  • Estou à procura de trabalho desde agosto de 2021. Sequer sei uma área específica na qual quero atuar, o que dificulta até minha busca. Minha formação primeira é em Direito. É vergonhoso a um crente (que sou) estar sem trabalho, por isso, suplique a Deus junto comigo por este motivo.


Se você tem um motivo pelo qual gostaria de oração, entre em contato. Podemos incluí-lo aqui.

Irmãos ausentes, sem novos convertidos… que congregação é esta?

O texto a seguir são cartas (e-mails) que intercambiei com um irmão do exterior. Verto para o português e publico aqui com a esperança de que outros santos se beneficiem daquilo que a mim também me beneficiou.

A correspondência entre nós dois quanto a este ponto é sintetizada a seguir. Abster-me-ei de qualquer comentário interlinear, que o Senhor possa falar a você diretamente a partir da correspondência. É a minha pergunta em uma carta e, em seguida, a carta de resposta:


*

 

A.:

R., irmão, olá.

Obrigado pelo interesse e disponibilidade em me ajudar com perguntas que eu tenha sobre a Bíblia. Não esperarei para fazer uso desta oportunidade, pois tenho uma coisa na qual já venho pensando e, portanto, imediatamente lhe apresento a questão.

Muitos irmãos e irmãs não estão comparecendo regularmente às reuniões. O que pode ser feito, o que precisa ser feito (O que eu preciso fazer, o que a assembleia precisa fazer) sobre isso? (O que vem a seguir é só uma contextualização a esta pergunta.)

 

Estou triste porque somos poucos, e muitos dentre esses poucos que somos estão abandonando a obediência de congregar. Alguns irmãos foram embora e não há novas pessoas vindo à nossa assembleia no Pilarzinho.

Desde o começo de minhas leituras sobre o estar reunido ao nome do Senhor, tanto na Bíblia quanto em livros, adquiri a noção de que tamanho, em geral, não é um sinal da aprovação de Deus. Eu ainda penso dessa maneira, porém, estamos falando de pessoas e, especialmente, de irmãos que estavam entre nós, ou ainda estão entre nós, porém fracos, talvez desinteressados — por culpa nossa ou não.

 

Meus pensamentos vagueiam, tenho uma visão embaçada do caminho, sobre qual seja o intento do Senhor com isso, e o que eu/nós devemos fazer.

Enquanto testemunha da situação, vivenciando-a, tenho a percepção de que nossos corações estão sendo reprovados pelo Senhor, que precisam passar por essa disciplina de sermos poucos e fracos para humilhação. Se não é uma desaprovação, será que simplesmente as coisas são assim, como tempos difíceis que Deus propôs segundo Seus caminhos? Não sei; meus pensamentos vagueiam, não sei o que pensar, o que esperar, o que fazer. Eu confio nEle, e me alegra que posso compartilhar com você sobre isso e talvez ter seus pensamentos advindos do alto para, talvez, com mais clareza, ser usado de algum jeito para ser parte dos planos de Deus para os Seus redimidos.

Um pouco do que ouvi de irmãos a respeito (sobre o que posso fazer a respeito de nossos irmãos que não estão nas reuniões, e da falta de visitantes que venham e permaneçam entre nós), questionando especificamente ou apenas ouvindo conversações gerais, parece que esta preocupação que tenho não é uma preocupação que eles têm (ou, se têm, é algo velado em seus corações, não dito). Sobre um irmão específico que nos deixou e que mencionei, ouvi que devemos orar por ele (estou fazendo isso), e acho que nenhuma direção outra sobre nossa ou minha responsabilidade.

 

Alguns dos últimos pensamentos que tive é que precisamos praticar a Palavra, no poder do Espírito Santo, e ter consciência de que todas as consequências estão nas mãos do Senhor, pertencem a Ele, em Quem esperamos. Isso pode estar certo, mas não é uma direção muito específica para esta preocupação específica.

 

De todo modo, penso que nossa condição presente não é a vontade do Senhor; provavelmente, se estamos direitos perante o Senhor enquanto indivíduos, famílias e assembleia, o Senhor quererá nos abençoar trazendo pessoas, salvando-as pela fé, edificando-as em nosso meio, bem como abençoar essas pessoas trazendo-as para viver a vida cristã nesta assembleia local, tantas quantas Ele quiser.

Especialmente o que quero é discernir a minha responsabilidaide em meio a isso tudo (isto é, se eu tiver alguma, se Deus quiser), mas talvez essa situação precise ser melhor compreendida como um todo para entender o caminho do Senhor e o trabalho que Ele possa ter para mim.

 

Sendo objetivo, o que eu ficaria feliz de ouvir de você, se puder, é, como expus no início desta carta e na contextualização que seguiu: Devemos ver como natural que irmãos e irmãs não compareçam às reuniões da igreja com diligência e regularidade, e alguns sequer vindo? Precisamos fazer algo além de aceitar o fato? Se há um problema, há como percebermos a causa do problema e fazer algo para resolvê-lo?

 

Claro, tome o tempo que precisar.

Abraço em Cristo;

A.

 

__________________

 


Irmão R.:

Prezado irmão A.,

obrigado por seu e-mail.

A questão que você levanta é, de fato, muito séria.

* * * * * * * * * * * * * * * * *

A primeira coisa que precisamos admitir é o que toca a nossa responsabilidade como irmãos na assembleia local, de alimentar o rebanho local do SENHOR:

  • Há suficiente alimento espiritual para a assembleia?

  • Há uma atmosfera de amor, bem como sensibilidade para a santidade entre os santos?

  • Estão os irmãos em humilde dependência e sob o controle do Espírito Santo durante as reuniões, de tal modo que ELE possa revelar a nós as glórias de Cristo, fazendo o SENHOR Jesus atraente para todos os corações?

Essas questões em particular podem estimular especialmente os irmãos na assembleia local, para ajudar almas a se manterem próximas ao SENHOR e virem regularmente às reuniões.

 

Em segundo lugar, precisamos perceber que é um fato geral, em todo o mundo (aqui no meu país igualmente), que corações estão desenvolvendo frieza no que concerne o amor a Cristo e aos irmãos. Esse triste desenvolvimento das coisas começou já no tempo do apóstolo Paulo (Fp 3:18-19; 1Tm 4:1ss). E também é mencionado em Ap 2:4; 3:15-22.

E então, em terceiro lugar, o que podemos fazer ou devemos fazer é: permanecer publicando a Cristo e Sua presença (enquanto estamos reunidos em SEU Nome) — no sentido de João 20:25a.

Quarto: e quanto a espalhar o evangelho — não somente a crianças (apesar de essa ser uma boa oportunidade), mas a pessoas jovens, a estudantes e a adultos? Isto precisa ser feito continuamente.

Quinto: há um grande perigo em falar sobre irmãos em vez de falar com irmãos. O SENHOR nos ajude e o Santo Espírito nos guie a pormos em prática o que é mencionado em Fp 4:8.

E, finalmente: não é para estar desencorajado, mas, antes, gozar da comunhão pessoal com o SENHOR Jesus Ele mesmo … “para que o vosso gozo se cumpra” (seja completo) (1 João 1:4). Isso é da mais alta importância para as nossas vidas individuais — bem como para outros crentes, porque pessoas felizes são mais atrativas que pessoas desapontadas ou rabugentas, mal-humoradas.

 

Prezado A.,

Estou ciente do fato, de que as poucas sentenças que escrevi acimam, não lhe trarão solução para o problema que você perguntou — mas possivelmente lhe darão um pequeno encorajamento. Por favor tenha em mente o que está escrito para Arquipo em Cl 4:17.

Saudações NELE.

R.

 

*

 

Eu disse que iria sintetizar, mas foi praticamente completo, com poucas adaptações de contexto e supressões para não mencionar a pessoa.

Foi pessoalmente dirigido a mim a princípio, e teve já um peso sensível muito especial que já tem reflexo diante do trono de Deus pela eternidade; mas agora, essa palavra, sinta que é dirigida pessoalmente a você, como de fato é.

Deus lhe dê proveito. Amém.

Digo, à parte:

Todo crente deve possuir um exemplar da Bíblia, se possível; dominar seu conteúdo e seu manuseio (no mínimo poder abri-la em qualquer dos 66 livros); e ter vontade de usar e de fato usá-la quando se deparar com a indicação de versículos em uma leitura cristã que esteja fazendo. É ótimo ter sua própria Bíblia disponível e acessível. Você não aprende a amar automaticamente, precisa de convívio, o mesmo se dá com a genuína palavra de Deus, você saberá amá-la, pela capacitação do Espírito Santo, à medida que se dedica a ela.

Novo tempo, tema novo

Eis que estamos chegando ao final de um ano. No momento em que escrevo, faltam 2 dias e 15 minutos para 2022. É só um final do ano no calendário gregoriano; para você pode ser diferente: pode estar sendo um início, um meio, ou, coincidindo com o calendário, um final. De todo modo, há um significado simbólico, e aproveito este significado para apresentar o novo tema do blog. Que é antigo, apenas tinha sido apagado, mas recontruí-o.

Aproveitei um tempo agora, nesta noite sem sono (dormi à tarde, o que raramente faço) que eu estava desperdiçando em coisas ruins, más navegações e maus pensamentos, pedi a Deus ajuda, e ele imediatamente me libertou e me trouxe até aqui, para fazer o que eu não tinha tido ânimo desde a restauração deste sitezinho.

Assim, dou graças neste momento, e peço que, se encontrar algum erro, problema de navegação no site, sugestão, entre em contato.


Tenho a ideia de publicar trechinho de uma correspondência com um irmão de fora, que diz respeito a como andar na igreja de Deus, a coluna e firmeza da verdade (sim, 1 Timóteo 3:15). Demanda organização (pois quero trazer a ideia, não reprodução literal) e tradução; então, como sugestão, continue acompanhando, pois em algum momento há de vir tal post aqui.

A igreja não é um templo físico

A igreja não é um templo físico. Ah, disso você já sabia?

E se eu te disser que... ?

A igreja não é um horário de reuniões bíblicas.


Como tem sua vida em igreja? Os seus irmãos e irmãs todos são igreja. Você precisa estar na vida deles, e eles na sua; não só estar com eles nos horários congregacionais de estudo e pregação, partir do pão e orações.

Procedimentos que não são de Deus e que nos abrem para a influência e poder de Satanás

Título longo, não é? Mas tudo bem, pois é exatamente disso que vamos falar.

Normalmente medito sobre a Bíblia e, por fraqueza, não anoto nada, e assim perco aquela meditação que poderia até servir a outras pessoas, esquecendo-me totalmente. Eu, ontem, pensei sobre esta palavra de agora, e novamente, como de costume, não anotei nem um esboço, nem uma palavra. Só que, excepcionalmente, desta vez, acordei com a memória desse pensamento, e estava com alguma energia e convicção de expressá-lo; portanto, boa conversa!

 

Temos a tendência de acreditar que, se funciona, está tudo bem. Mas, só para termos bem claro, o Diabo e seus anjos já fizeram muitas coisas que funcionaram e que a Bíblia relata muito bem:

— Convenceu o homem a praticar o único ato que ele não poderia cometer, e assim todos nós somos caídos no pecado. (E ele fez isso quando tinha bem menos milhares de anos de experiência conosco...)

— Fez cair fogo do céu sobre as ovelhas e servos de Jó.

— Tiveram relações sexuais com mulheres humanas, gerando por elas uma nova raça de seres.

— Deram poder a uma mulher jovenzinha para adivinhar — com tanto sucesso que dava muito dinheiro aos seus senhores.

— O Diabo, pela possessão de Judas, participou de um dos feitos mais notáveis da história mundial: atuou em Judas para fixar nele a ideia, que então levou a cabo, de entregar o Senhor Jesus a uma horda de centenas de pessoas respeitáveis no mundo, mas tão horríveis no coração como nós, que mataram o Senhor da Glória.

Sim, o Diabo tem poder e conhecimento, e seus atos funcionam.

Não duvido nem um milímetro daqueles que escrevem sob a influência de espíritos. Não é invenção da mente dos homens (acho que se chamam psicógrafos), mas há realidade espiritual. Mas não são espíritos de mortos, que estão guardados por Deus sem poder de influência no mundo presente; são espíritos de demônios, que rondam toda a terra e conhecem todas as coisas que acontecem por aqui, podendo-se passar por quem quiser se alguém quiser lhes lhes ouvidos.

Há, inclusive, relatos de curas a distância, operadas por meio da invocação de médiuns. Também é possível, pois Deus é quem concede a Satanás a autorização do que este pode ou não fazer; e tem demonstrado conceder esse poder com grande liberalidade quando é o próprio homem quem invoca energias, espíritos ou o que for que seja contrário ao ensinamento bíblico. Quando há cura, a situação é também bem penosa, pois o bem não é uma especialidade do Diabo, portanto, ou o aparentemente "bem" da cura servirá para descambar de vez a vida do curado ou de seu entorno, ou não será uma cura definitiva, mas que só trará laços ao doente para que ele fique amarrado e dependente daquele que o curou...

 

É por isso que aquela jovem, embora adivinhasse e, com isso, desse lucro, não foi louvada por homens de Deus por sua sabedoria, e sim teve o espírito maligno expulso de si

É por isso que os crentes em Éfeso, quando receberam orientação sobre a palavra de Deus, voluntariamente queimaram seus valiosos livros de magia, cujo preço seria de 50.000 peças de prata.

Isso apenas para citar exemplos bíblicos. Em biografias de homens de Deus do passado, e ao nosso redor atualmente, podemos constatar a realidade da luta espiritual e do poder demoníaco e discerni-la à luz da palavra.

 

A Bíblia adverte que nos últimos dias haverá pessoas que cairão de sua fé, "dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios". Se esses espíritos dissessem completa mentira, e se nossa carne não respondesse sentindo atração por essas coisas, Deus nem teria por que se importar com essas malignidades. Mas não, há poder nessas coisas, há satisfação em nossa carne por participar dessas coisas (ocultismo, buscar o passado, buscar técnicas não bíblicas, e nem científicas, para curar dores ou emoções na base de manipulações espirituais manifestas ou veladas). Há verdade quanto àquilo que nos interessa, se o que nos interessa é o querer saber das coisas do mundo, talvez enriquecer e adquirir saúde acima de tudo, e ter influência no mundo. O que tais espíritos enganadores escondem, e doutrinas de demônios não revelam, é que quem dá o mínimo ouvido que seja a isso está sujeito ao fogo eterno. E quem está enredado nisso, satisfeito com as aquisições que isso lhe gera, fica com a consciência cauterizada e nem ouve mais a verdade que vem só de Deus e Sua palavra.

Você consegue pensar em algo na vida? Ou na vida de algum querido, que até mesmo se diz crente, mas que aceita receber em seu corpo e mente métodos e técnicas espiritualizados para conquistar o que busca (cura, por exemplo)? Podemos despertar, ou ajudar a despertar quem precisa, antes da cauterização da mente. Se não estamos nesse mal pela graça de Deus, continuemos ignorando métodos que se arrogam o nome de ciência ou de medicina mas que se valem da manipulação de forças, energias ou vibrações.

Não é porque funciona que é bom e está tudo bem. Se aplica conceitos metafísicos, sobrenaturais, que não sejam de Deus, provavelmente (certamente) é demoníaco. Para problemas e situações de todas as espécies, especialmente nas áreas espiritual e emocional de nossas vidas, fiquemos com Deus e Sua palavra.

Pedir em nome de Jesus

Lia eu hoje João. Chamou-me atenção, nos capítulos 14, 15 e 16, a ênfase de Jesus sobre pedir em Seu nome. Quatro vezes Ele diz algo a respeito:

João 14:13-14:
"E tudo quanto pedirdes em Meu nome Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, Eu o farei."

João 15:16: "Não Me escolhestes vós a Mim, mas Eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em Meu nome pedirdes ao Pai Ele vo-lo conceda."

João 16:24: "Até agora nada pedistes em Meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra."

João 16:26-27: "Naquele dia pedireis em Meu nome, e não vos digo que Eu rogarei por vós ao Pai; Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós Me amastes, e crestes que saí de Deus."



Em geral, quando repetimos uma ideia, é porque a julgamos importante; porque queremos dar ênfase a ela na mente dos nossos ouvintes. Isso nos ajuda a entender a intenção de Jesus.

Quando Jesus se delonga em uma matéria, não é à toa, pois Ele está colocando um ponto de exclamação no assunto, negritando e sublinhando para nossos corações. Podemos respeitar a decisão de Deus, dando a devida atenção a cada coisa e, também, aos assuntos a que a Bíblia explicitamente dá maior ênfase. 

Essa ênfase pode ser por repetição; pelo uso da expressão de força "em verdade, em verdade"; talvez também pelo emprego de figuras de linguagem muito particulares ("passar o camelo pelo buraco de uma agulha"), ou ainda outros jeitos pelos quais percebemos que Deus está falando alguma coisa de um modo mais especial para nosso corações.

De novo sobre a morte de Jesus?

Porventura cansas tu de ouvir falar da morte de Jesus?

Nem medita direito em minúcias de Sua entrega e crucificação? (O beijo de Judas na quinta-feira à noite; a insistência de Pilatos em, três vezes, querer soltá-lO; palavras dos Salmos cumpridas; o rasgar-se do véu do templo; Suas palavras na cruz; Sua morte e sepultamento na sexta-feira; o descansar das mulheres no sábado e ida ao sepulcro no domingo...)

Não, é impossível não querer saber e meditar sobre Jesus, e Este crucificado. É tema eterno na mente do Pai e de todos os salvos, para sempre. Até na glória eterna conversaremos sobre isso, louvaremos a Ele pensando exatamente nisso.


Lucas 9:29-31: “E, estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto, e a sua roupa ficou branca e mui resplandecente. E eis que estavam falando com ele dois homens, que eram Moisés e Elias, Os quais apareceram com glória, e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém.”

Apocalipse 5:6-12: “E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra. E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono. E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; E para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra. E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças.”